E se o seu currículo também contasse suas histórias de afeto?
Quantos títulos cabem em uma folha?
Quantas histórias, quantos silêncios — não.
A maioria dos currículos profissionais fala sobre cargos, formações e resultados. Mas quase nenhum currículo fala sobre aquilo que realmente molda quem somos no trabalho: as relações humanas.
Poucos currículos contam sobre os conflitos que ensinaram a escutar, os fracassos que fortaleceram a coragem ou as pessoas que despertaram a confiança. Ainda assim, são essas experiências que sustentam nossa presença, nossa liderança e nossa performance no ambiente profissional.
No trabalho, ninguém chega sozinho.
Chegamos com a nossa história.
O mundo do trabalho e a redução das pessoas a números
Vivemos um tempo em que o mundo corporativo tenta reduzir a complexidade humana a métricas, metas e indicadores de produtividade. Como se pessoas pudessem ser completamente traduzidas em números. Como se relações no trabalho fossem obstáculos — e não o próprio terreno onde o trabalho acontece.
Essa lógica ignora um ponto essencial: performance sustentável nasce de relações seguras, não apenas de eficiência técnica.
Quando a pressão por resultados elimina o espaço para diálogo, escuta e confiança, o custo aparece em forma de adoecimento emocional, conflitos mal resolvidos e perda de engajamento.
O currículo relacional que ninguém vê
Existe um currículo invisível.
Um currículo relacional que não aparece no LinkedIn nem nos processos formais de RH, mas que sustenta nossa humanidade no trabalho.
Esse currículo fala sobre:
- como sustentamos conversas difíceis,
- como reagimos ao “não”,
- como recomeçamos depois do erro,
- como damos espaço para o outro existir.
São essas habilidades relacionais que determinam a qualidade das equipes, da liderança e do clima organizacional. Quando tentamos transformar tudo isso apenas em indicadores de performance, perdemos algo precioso: a textura humana que costura as relações profissionais.
Relações não são um extra.
Relações são a base do trabalho.
Relações humanas, liderança e presença no trabalho
Essa reflexão ganhou força em um encontro recente entre dois pensadores contemporâneos: Simon Sinek e Esther Perel. Ambos defendem que o mundo do trabalho precisa reaprender a se relacionar — não apenas com eficiência, mas com presença.
Presença para sustentar a ambiguidade.
Para aceitar que nem tudo se resolve com rapidez.
Para compreender que vulnerabilidade não é fraqueza, mas força compartilhada.
Vivemos hoje um paradoxo claro: mais liberdade e mais solidão. Mais ferramentas de conexão e mais rupturas — afetivas e profissionais. Isso enfraquece algo essencial para qualquer equipe saudável: a capacidade de confiar, criar e crescer juntos.
A pergunta que revela o que falta no mundo corporativo
Em uma publicação no LinkedIn, Gabriela Presto, CEO da Escola Atemporal, lançou uma pergunta simples e poderosa:
“Qual habilidade relacional você gostaria que alguém tivesse te ensinado antes do seu primeiro emprego?”
As respostas mais votadas revelam muito sobre o que falta no mundo do trabalho atual:
- Gestão de conflitos (a mais votada)
- Inteligência emocional (segunda mais votada)
Todas apontam para o mesmo desejo: sermos melhores com os outros e conosco. Saber discordar sem agredir. Pedir ajuda sem medo. Ser firme sem ser duro.
Mais do que performance, as pessoas desejam relações mais humanas no trabalho.
Liderar é criar espaço para relações
Liderar não é controlar.
Liderar é sustentar.
É criar segurança psicológica para que as pessoas possam errar, aprender e crescer. É entender que pertencimento não é se encaixar, mas ser acolhido na inteireza.
Talvez um dia nossos currículos tragam outras linhas, como:
- “Sou bom em escutar o que não é dito.”
- “Sei sustentar conversas difíceis com cuidado.”
- “Aprendi a recomeçar.”
Até lá, que sigamos escolhendo relações que nos formam — e nos transformam.
Para participar de mais discussões como essa, siga Gabriela Presto no Linkedin clicando aqui.


